29/10/2008
Segundo a mitologia grega, Poseidon - deus do mar, num ataque de fúria titânica, secou todas as fontes de água da Grécia. Entretanto, enfeitiçado pela beleza de uma jovem sedenta que lhe implorava ajuda, ele tocando seu tridente sobre uma rocha, fez nascer dali uma tripla fonte de água cristalina.
A importância da água mineral em todas as civilizações vem de tempos remotos e desde a mitologia grega a água está relacionada à beleza. As águas minerais quando consumidas, além dos benefícios à saúde, tem comprovados benefícios para a pele, hidratando-a e eliminando toxinas resultantes das reações celulares, topicamente são usadas até como promotoras de beleza.
Segundo o médico crenologista Mourão: "A água mineral é água de fonte natural que, pelas suas propriedades físicas, físico-químicas e composição química, se afasta de tal maneira das águas potáveis de uso comum, que possa com vantagem e dentro de critérios clínico científicos, ser utilizada como auxiliar terapêutico".
A água favorece todas as funções fisiológicas, sendo fundamental para a permanente hidratação do corpo. Até mesmo a queima de gorduras é decorrente da ação da água. Compondo em média 70% de nosso corpo a água faz muito mais do que saciar a sede, pode possuir ações preventivas, curativas, terapêuticas e de embelezamento, este é o princípio da crenoterapia, terapia que reúne as propriedades medicinais de águas minerais termais e radioativas, entre outras, às benesses da climatologia.
Este tratamento pouco difundido no Brasil e restrito quase que somente às estâncias hidrominerais é altamente valorizado na Europa. A medicina brasileira antes da década de 50 se fundamentava nestas escolas européias, que entre alternativas terapêuticas pregam as ações terapêuticas das águas, comprovadas pelos inúmeros estudos e publicações brasileiras desta época. Após a Segunda Guerra Mundial com os EUA emergindo como potência, nossas faculdades começaram a modelar os conceitos norte-americanos e também o ceticismo à crenoterapia e outras áreas médicas que não se baseavam em tratamentos químicos e intervencionistas. Postura esta assumida por longas décadas por muitos profissionais de saúde que hoje é revista com a valorização deste recurso terapêutico que são as águas minerais.
A falta de informação e o ceticismo de médicos que adotam o modelo norte-americano privam os pacientes dos benefícios do tratamento crenoterápico o que é um grande paradoxo, considerando que o Brasil detém ao maior potencial de vazão, quantidade e qualidade de águas minerais do mundo, um potencial terapêutico natural que se encontra sob nossos pés.
Como nos apresenta Mourão (1997): "O tratamento pelas águas minerais se originou do próprio povo, desde remotos tempos. Em todos os países do mundo, a crenoterapia, mais cedo ou mais tarde, passou pelos três estágios seguintes: o das águas santas e virtuosas; o do empirismo, com o início das pesquisas científicas; o a rigorosa análise cientifica".
Em 1810, Michel Bertrand descobriu em Aix-em-Provence na França um sistema de captação de água sulfurosa e uma piscina de madeira totalmente petrificada que datam da Idade da Pedra Polida, demonstrando o uso das águas medicinais pelo homem desde o período neolítico. Hoje, com a criação da Comissão Permanente de Crenologia, através da Portaria nº. 52 de 02/02/2005 do Ministério de Minas e Energia, a qual compete o estabelecimento de condições básicas, sob o ponto de vista médico, para o regulamento das atividades crenológicas, implantando e coordenado a aplicação da doutrina crenológica em todo território nacional, o Brasil redescobre as águas naturomedicinais através dos avanços científicos e tecnológicos e abrem caminho para este recurso terapêutico praticado em todas as épocas da humanidade.