29/10/2008
"A maioria das pessoas vive - física, moral ou intelectualmente - num círculo muito restrito de suas capacidades potenciais"
William James
Vive-se numa época de confluência entre o absoluto científico e a filosofia, a realidade e as possibilidades, a matéria e a energia, o conhecimento antigo e o novo, a ciência e a religião. Mediante essa confluência, teorias e pesquisas modernas para aventurar-se no campo de estudo do encontro inter-humano de maneira construtiva exige-se mente aberta, abordagem objetiva e observação cuidadosa. Este artigo pretende levar o leitor ao conhecimento, e não o conhecimento ao leitor; é um pequeno mergulho nas questões dessa confluência, da ciência e da filosofia no que tange a elegante sutileza da influência que as atitudes do profissional de ajuda exercem sobre o indivíduo. Trata-se de esboçar um quadro simplificado que servirá como base de reflexões posteriores sobre o desenrolar da relação de ajuda.
Presencia-se uma revolução científica, uma mudança de paradigma, uma nova forma de compreender e fazer ciência; caminha-se dos estudos dos aspectos mais densos da forma física, da patologia, da anatomia e da fisiologia e entra-se no estudo dos impulsos elétricos gerados pelo corpo. A forma como se vê a natureza humana está mudando drasticamente e isso produz um grande impacto sobre os cuidados com a saúde humana, modificando a maneira como as abordagens de ajuda são praticadas e até mesmo alternando nossa visão acerca daquilo que faz com que os seres humanos se tornem doentes ou sadios, numa abordagem mais ampla e sistêmica de saúde, como o encontrado no preâmbulo da Constituição da Organização Mundial da Saúde: "Saúde é um estado de completo bem-estar físico, mental e social, e não apenas a ausência de doença".
A vida, a saúde e a doença, estão cada vez mais sendo abordados em termos de modelos e impulsos energéticos tão comuns na neurociência contemporânea, assim como, em tecnologias modernas como as encontradas no biofeedback. Todavia será que não estamos deixando para trás sutilezas que muitas vezes não reconhecemos como verdadeiros agentes promotores de saúde? Será que não estamos mais focados em novas tecnologias e técnicas de ajuda e nos esquecendo de nossos aparatos internos humanos perfeitamente arquitetados pela evolução de nossa espécie?
Às vezes acredita-se que a ciência é tão sofisticada que já deveríamos saber tudo a respeito de como curar doenças e conservar a saúde, e também como ajudar os indivíduos de forma integral e sistêmica. Mas o que vemos na prática é bem diferente disso. Será que com o advento da neurociência e das descobertas da física quântica, estamos fazendo as perguntas corretas sobre doença, saúde e natureza humana? Ou será que estamos presos a um modelo de "ser humano" mecanicista e já obsoleto? Como cita a Dra. Shafica Karagulla (1967):
"O homem está conscientemente caminhando de um mundo de formas sólidas e estéticas para um outro universo de configurações de energia dinâmica. Este é o seu problema e a sua oportunidade. Prisioneiro dos seus cinco sentidos, ele sentiu o mundo como sendo "sólido", "concreto", "rígido". Hoje, já penetrou num mundo fluido, intangível, de energia irradiante, vibrante."
Será que a expansão da tecnologia médica e das abordagens intervencionistas entre muitos outros fatores não estão limitando a importância da interação humana no processo de ser saudável? Será que mediante os avanços atuais podemos subjugar o campo invisível e sutil que se forma no encontro entre dois seres na esfera do inter-humano? Em meio a isso tudo, quem se habilita a ter certeza?
Este artigo concentra-se principalmente na busca para sensibilizar o resgate do caráter ontológico da relação de ajuda, sem rejeitar os estudos e as abordagens mais antigas ou as novas possibilidades. Assim, deixa-se de lado o ceticismo e qualquer estreitamento para uma valorização multidisciplinar das atitudes do profissional de ajuda que podem efetivamente contribuir com a relação de ajuda. Como citado por Richard Gerber (2000):
"A nossa própria compreensão do mundo físico - quando vista a partir do nível subatômico da nossa constituição molecular levou recentemente muitos cientistas e pesquisadores de ponta a acreditar que os seres humanos são mais do que apenas máquinas biológicas com partes que envelhecem e se desgastam. Se fôssemos apenas maquinas sofisticadas, poderíamos perfeitamente satisfeitos com um melhor conhecimento das peças de reposição e das técnicas para regular o motor biológico a fim de curar as doenças e os estragos causados pela passagem do tempo."
A relação de ajuda aqui se apresenta como um encontro entre subjetividades cujo objetivo primeiro é favorecer o receptor no desenvolvimento da sua mais completa liberdade pelo crescimento e desenvolvimento das suas próprias faculdades internas, isto é, de seus próprios recursos interiores, sejam eles físicos, psíquicos ou emocionais.
Desde a concepção no organismo materno, estabelece-se a herança genética do novo ser que pode ser um fator que liberta ou limita. Se por um lado temos a influência desses fatores somáticos, por outro, não menos importante, temos as influências psicológicas exercidas sobre o indivíduo desde o nascimento. Partimos do princípio que é na esfera do inter-humano que se desenvolve a liberdade do homem, e nesses encontros algumas relações são positivas e libertadoras, e outras são negativas e limitativas. Desta maneira, conceituamos aqui a liberdade como a aptidão de um ser humano de viver e de atualizar plenamente todos os seus recursos interiores, através de influências positivas e negativas.
Pode-se, portanto, conceituar a relação de ajuda como uma relação positiva e libertadora, uma maneira de ser e proceder no encontro interpessoal que procura libertar na pessoa ajudada seu próprio potencial em sua totalidade. Investe-se na auto-realização, despertando a capacidade daquele que é ajudado a viver mais plenamente do que o fazia antes desse encontro.
Em conformidade com a terminologia de relação de ajuda proposta por Carkhuff (1969, 1971), podemos convencionar como orientador *, "aquele que ajuda" e como orientando *, "aquele que é ajudado", de modo a estendê-los com abrangência as relações de médico e paciente, terapeuta e consulente, coach e cliente, conselheiro e aconselhado, entre outros.
Entenda-se aqui, como profissional de ajuda ou orientador todos aqueles que exercem em nossa sociedade funções cujo encontro seja positivo e benéfico àqueles com os quais entram em comunicação: coaches, terapeutas, médicos, enfermeiras, professores, monitores, assistentes sociais, pais, sacerdotes, membros de comunidades religiosas e conselheiros (sociais, legais, religiosos e morais), entre muitos outros, sendo infinda a lista dos que se dedicam à ajuda genuína para outros seres humanos.
Quanto à maneira de proceder do orientador, considero como ideal as atitudes profundamente adquiridas e integradas, que são expressas congruentemente em seu comportamento e influenciam positivamente o orientando. É imprescindível diferenciar aqui atitudes e técnicas, que segundo Kerlinger (1964, p.483): "Pode-se definir uma atitude como uma predisposição a pensar, sentir, perceber e agir de certa maneira em relação a um ser qualquer". Para o termo técnica conceituo como o conhecimento prático de um conjunto de métodos e pormenores de procedimentos exigidos para a execução de uma abordagem de ajuda.
Pode-se proceder tecnicamente, em qualquer domínio, sem que as atitudes internas sejam integradas e congruentes. As técnicas não designam necessariamente comportamentos externos congruentes com as atitudes do orientador, mas, a experiência comprova que se esses comportamentos não forem a expressão externa de atitudes internas, não resistirão à prática continuada da relação de ajuda, conforme descrito por Saint-Anaud (1969, 121 - 123): "A fragilidade e não permanência das técnicas que não brotam das atitudes internas foi demonstrada varias vezes".
Isso aponta para que o elemento essencialmente orientador da relação de ajuda será muito mais a atitude expressa do orientador do que as técnicas que pode adquirir. Os comportamentos externos do orientador, para serem verdadeiramente libertadores, deverão traduzir e exprimir os traços de uma pessoa, ela própria, libertada.
Algumas pesquisas efetuadas sobre os resultados de relação de ajuda profissional deixam entrever que estas relações denominadas "terapêuticas" são freqüentemente ineficazes (EYSENCK, 1965; LEVITT, 1963). Uma relação de ajuda que não seja eficaz, isto é, que não ajude o orientando a atingir os objetivos fixados por ele, juntamente com seu orientador, se justifica em ser chamada ajuda? Proponho que o orientador eficaz se liberte de ficar preso a uma única abordagem ou determinada escolha de técnicas para tanto. No seu engajamento em relação ao orientando, utilizará de todos os meios eficazes que ajudem o orientando a atingir seus objetivos, sendo a eficácia dos meios determinada por sua relação mais ou menos direta com o resultado desejado e da relação orientador-orientando.
Não se refuta aqui a possibilidade de que as relações nas quais o orientando verbaliza seus problemas com orientador simpático, possam ser gratificantes para ambos os parceiros. Mas, reserva-se o termo "de ajuda" às relações eficazes nas quais o orientando sai, tendo aumentado sua capacidade de se desenvolver em suas possibilidades de viver livre e em direção a sua auto-realização.
Dessa maneira valoriza-se a eficácia da relação de ajuda, onde se destacam alguns pressupostos importantes:
1 - A eficácia da relação de ajuda é aquela mais centrada sobre a pessoa do orientado, do que sobre o que se convenciona chamar seus "problemas". Pode-se discorrer sobre "problemas", mas o orientador eficaz concentra seu foco nas pessoas. O orientador não entra em contato concreto com o "problema", mas apenas com o orientando; para o orientador eficaz só existe o orientando, que de uma infinidade de maneiras está feliz, alegre, angustiado, ansioso ou criativo.
2 - A eficácia da relação de ajuda é favorecida antes por uma abordagem positiva e libertadora, mais do que corretiva. Sem negar a legitimidade de uma abordagem corretiva, aqui a relação de ajuda se apresenta mais em termos de desenvolvimento e crescimento do que em termos de correção e retificação.
3 - A responsabilidade do orientando com os resultados e a co-responsabilidade pela relação de ajuda deve ser clara, como exposto por Lucien Auger (1977):
"O termo ajudar designa uma intervenção em favor de uma pessoa, intervenção na qual o orientador une seus esforços aos desta pessoa. Quer isto dizer, que o próprio termo implica que o agente principal da ação é o próprio orientando. O orientador desempenha somente um papel de assistência, subordinado a ação principal cujo agente permanece sempre o orientando. Ajudar não é criar".
4 - Ajudar não é uma atividade ocasional na vida de um orientador eficaz, é propriamente uma maneira de viver. Se assim não for, o orientador se exporá a ser continuamente confrontado com problemas de conflito de papéis.
5 - A eficácia nesse tipo de relação do domínio inter-humano depende em grande parte do vértice das atitudes nessa interação, reveladas no caráter comportamental e mental que se estabelece entre o orientador e o orientando, cabendo ao orientador a responsabilidade como facilitador desse processo através de uma relação empática, considerando Souza, J. F. B. (2005):
"Concluímos que a relação empática deve se iniciar no momento em que ocorre este encontro e deve ser mantida durante o mesmo, sendo que o receptor através de suas oscilações expressivas nos oferece o feedback para percebê-lo integralmente e agirmos de acordo com sua resposta de maneira intencional e cibernética. Embora distante da cibernética clássica, mantem-se efetiva em alguns pontos: na clareza dos objetivos da comunicação e na identificação dos resultados que estão sendo obtidos junto ao receptor. O facilitador através de atitudes auto-reguladoras e fortalecedoras de ciclos positivos reguladores, atingirá um nível de sistema bem sucedido que tende a estabilidade, consistência e harmonia. Uma maneira empática de se comunicar, atinge a excelência na comunicação numa relação ganha-ganha".
É, portanto primordial examinar as atitudes e influências do orientador que vão transformar o encontro interpessoal em uma relação de ajuda eficaz, propósito principal desse artigo.
Desta maneira, são atitudes fundamentais do orientador eficaz:
1 - Autoconhecimento e autodesenvolvimento contínuo - O que constitui um real direito a ajudar, só poderia se basear na capacidade do orientador de viver de maneira mais eficaz do que o orientando, pelo menos nos setores em que o orientando encontra os "problemas" e que o levam a solicitar ajuda. Espera-se maior eficácia do orientador sobre a questão do orientando, do que esse possa manifestar em sua vida.
O orientador deve estar (ele próprio) engajado em conquistar sua liberdade total, num processo constante de autoconhecimento, de desenvolvimento e de atualização de seu próprio potencial humano, ajudando eficazmente outras pessoas a alcançarem esta evolução. O orientador eficaz deve, pois ser capaz de demonstrar que se estivesse nas mesmas condições que seu orientando, saberia se sair delas de maneira mais construtiva do que esse último. Parte-se do princípio que a atitude continua de autoconhecimento e autodesenvolvimento do orientador é a base sólida para sua própria eficácia pessoal, profissional e de ajuda.
2 - Congruência - Embora poucas pessoas tenham consciência disso, a maioria das mensagens que emitimos para os que nos rodeiam exprimem-se no modo não verbal de comunicação. Estamos em continuo estado de emissão, mesmo quando estamos totalmente silenciosos ou até mesmo quando dormimos. O catálogo não verbal é imenso e variado: gestos, olhares, suores, estremecimentos, tom de voz e mímicas diversas.
Somos incongruentes quando nossos dois modos de comunicação (verbal e não verbal) estão em desacordo, ou seja, quando dizemos uma coisa, e em contraposição nossa linguagem não verbal revela algo diferente, que transmite nosso verdadeiro pensamento. Nestes casos, a comunicação verbal concretizada através de palavras e sons torna-se ineficaz.
Pesquisas científicas demonstram a primazia de nosso sistema não-verbal de comunicação. Mediante tal exposição, fica fácil compreender a importância da congruência para uma relação de ajuda eficaz, onde a congruência é fator primordial a construção da confiança.
3 - Reconhecer-se como um facilitador - Muitas vezes o orientador pode cair na armadilha de se considerar como o "salvador" do seu orientando, aquele que oferece a "cura" e até mesmo o orientando passa a crer nisso. Essa é uma atitude limitadora e negativa da relação de ajuda. Postula-se aqui que o desenvolvimento do orientando se deve a presença de uma tendência a sua auto-realização e à atualização de suas próprias potencialidades, a atitude do orientador se limita apenas a ser o facilitador do processo libertador do orientando tornando-o mais eficaz.
Comparando-se com o desenvolvimento físico onde cada organismo corporal se utiliza de seu meio ambiente para crescer e aumentar suas potencialidades, o mesmo ocorre no domínio psicológico, onde uma atitude facilitadora oferece condições favoráveis para o aumento, crescimento e se desenvolvimento psicológico do orientando segundo sua própria potencialidade. Assim, não se trata de minimizar a importância do orientador para o crescimento e maturação do orientando, trata-se antes de reconhecer a influência eficaz da atitude do orientador como um facilitador desse processo, para o orientando, dotado de seu próprio potencial interior de desenvolvimento e auto-realização.
4 - Confiança no potencial humano do orientando - A evolução de um ser humano surge de uma dupla fonte: o desenvolvimento dinâmico de suas próprias forças de crescimento e a interação destas forças de crescimento com seu meio ambiente.
O ser humano se organiza e se integra através de seu capital inato, de seu potencial parcialmente desenvolvido, tudo que a pessoa adquiriu pela aprendizagem em seus aspectos físicos, emotivos e intelectuais, suas capacidades, seus talentos, seus conhecimentos, suas lembranças, os comportamentos que aprendeu, suas atitudes, suas crenças, seus hábitos e tendências, baseados no passado e orientado para o futuro. Estes diversos elementos são integrados de maneira única e continuamente em mutação para cada pessoa.
A palavra confiar etimologicamente significa, con = juntos e fiar = dar crédito, partindo disso, para eu dar crédito preciso confiar em mim mesmo e no outro. Cabe ao orientador eficaz a atitude de confiar no potencial humano de seu orientando, ajudando-o a encontrar dentro de si mesmo esse potencial e trazê-lo para fora. Assim, não é uma transferência do potencial do orientador que mais ajuda, mas sim, o emergir do potencial do próprio orientando através da demonstração dessa confiança.
5 - Respeitar a individualidade e diversidades do ser - Cada ser humano percebe a "realidade" a seu modo, através dos filtros de sua própria personalidade e de suas experiências anteriores. A "realidade" é essencialmente ambígua e somos nós que a interpretamos e lhe damos um sentido. O individuo experimenta, pois a "realidade" de modo essencialmente subjetivo, embora, espontaneamente, sejamos levados muitas vezes a atribuir às nossas percepções subjetivas um valor absoluto. Tudo se passa como se, para nós, nossa maneira de percebermos a nós mesmos e de percebermos o mundo que nos cerca fosse à única possível.
O respeito a essa individualidade e diversidade do ser por parte do orientador exercem uma influência positiva sobre o desenvolvimento do orientando, acolhendo a sua maneira de perceber e, portanto, de integrar o seu próprio mundo interior a seu meio ambiente.
6 - Ausência do juízo ou da avaliação - Um grande obstáculo à relação de ajuda consiste na tendência de muitos orientadores a avaliar e julgar seus orientandos. É importante constatar que a relação de ajuda eficaz não implica em acordo, e nem em desacordo com as percepções do orientando. Acordo ou desacordo só poderiam ser emitidos a partir de um juízo moral feito pelo orientador, baseado em sua própria "realidade". A avaliação ou o juízo moral são limitadores numa relação de ajuda.
Quando nos postamos para compreender o mundo como o orientando o vê, não nos concentramos em julgá-lo ou apreciá-lo moralmente. O juízo tende a fechar o orientando no quadro de referencia do orientador e a diminuir sua liberdade, freqüentemente já mínima quando necessita de ajuda.
7 - Imediatez - É a atitude para discutir aberta e diretamente com o orientando o que está ocorrendo no "aqui e agora" na relação interpessoal entre ambos: isso exige do orientador, ter habilidades de atenção, escuta, empatia e assertividade. Através da imediatez o orientador manifesta sua intuição sobre o que o orientando sente no encontro, o que permite detectar no "aqui e agora" o que está limitando a relação interpessoal, e ver de que modo se pode negociar. Isto supõe um clima de confiança e apoio, o que implica em juntar compreensão e assertividade. A imediatez remete a um encontro verdadeiro e profundo da relação de ajuda eficaz.
8 - Compreensão empática - A compreensão de que se trata aqui não se refere, em primeiro instância, ao que se poderia chamar de "conteúdo" da comunicação. Trata-se de o orientador ter a atitude de sair de si mesmo e de partilhar do mundo subjetivo de seu orientando. Quando o orientador consegue, ainda que imperfeitamente, entender as emoções subjetivas do orientando, comunicadas mais ou menos claramente por esse ultimo sob o véu dos "conteúdos" objetivos, pode-se dizer que começa a compreendê-lo e ampliar a eficácia da relação de ajuda.
9 - Escuta ativa - Para entender totalmente o orientando, é preciso que o orientador tenha uma atitude de escuta ativa. Isso significa que toda a sua atenção deve estar concentrada nas comunicações verbais e não verbais do orientando. O orientador que quer compreender profundamente seu orientando deve resignar-se a calar exteriormente, mas, sobretudo interiormente. Deve se debruçar sobre o mundo do orientando e desligar temporariamente seu próprio sistema de comunicação interior consigo mesmo. Não chegará ao silêncio interior completo, mas é importante que sua comunicação interna não interfira com a escuta do orientando, condição essencial que constitui o ponto de partida da comunicação interpessoal eficaz na relação de ajuda.
10 - Amorosidade - A maturidade de um orientador eficaz reside na sua atitude de oferecer seu amor de modo desinteressado ao orientando. O amor dos outros e o dom de si, os indícios mais certos de maturidade humana, repousam, pois, sobre um amor de si verdadeiro: ninguém pode dar o que não tem.
Se a necessidade básica de amar e ser amado não é razoavelmente satisfeita, as atitudes do orientador que favorecem o crescimento do orientando se acham limitadas em sua eficácia; ao contrário, numa atmosfera desse amor e de troca a influência positiva das outras atitudes apresentadas tornam-se sinergicamente mais eficazes na relação de ajuda.
O desenvolvimento da tendência de atualizar os seus recursos interiores constitui para o ser humano a conquista de sua liberdade. Sentir-se amado de um amor não interessado, é sem dúvida alguma a condição mais importante para assegurar o seu desenvolvimento. Esta condição afeta não somente o desenvolvimento emotivo do ser humano, mas igualmente seu desenvolvimento intelectual e mesmo físico, como o demonstraram as pesquisas de Harlow (1938) e de Spitz (1949).
O orientador eficaz facilita o processo do orientando em se desenvolver harmoniosamente, ajudando-o não apenas a reagir ao seu meio ambiente e as suas situações "problemas", mas também a aprender gradativamente a modificá-lo por sua ação própria de maneira proativa. É uma maneira de ajudar o orientando a aprender a aprender.
Esta aprendizagem na relação de ajuda é fortemente condicionada pela influência da atitude do facilitador. Se o orientando estiver sujeito a atitudes desfavoráveis no encontro, feita de incongruência, falta de confiança, julgamento, incompreensão, falta de interesse, desrespeito, arrogância, rejeição e de desamor, as suas reações serão mais ou menos consagradas à defesa, deixando-lhe assim poucas formas para se realizar positivamente e se libertar. Ao contrário, em uma atmosfera de congruência, confiança, ausência de julgamento, compreensão, interesse, respeito, facilitação, aceitação e de amor, o orientando se torna capaz de utilizar seus recursos interiores para entrar em contato com a realidade, e aí encontrar matéria para o crescimento de seu ser e desenvolvimento de sua total potencialidade.
Assim, cabe ao orientador que busca uma relação de ajuda realmente eficaz assumir a responsabilidade de desenvolver as atitudes que vão favorecer a si mesmo e especialmente ao orientando através de uma postura mais positiva frente ao mundo que o cerca, possibilitando um crescimento de suas faculdades internas expressas em saúde física, psíquica, emocional e social e desenvolvimento de sua mais completa liberdade.