Como aumentar a competitividade das empresas estruturando os canais de distribuição

4/12/2008

O mercado mundial vem presenciando um crescimento em sua demanda em um nível acima do esperado. O consumo se expande progressivamente em diversas partes do globo, inclusive em países que outrora eram considerados inexpressivos no contexto mundial e sem previsão de crescimento.

Neste contexto, há, por parte das empresas, uma visão de oportunidade de expansão de suas operações em nível global. Porém, esta visão é compartilhada por empresários de diversos países, o que torna a competição acirrada e complexa.

Para que possamos sobreviver a este cenário turbulento e competitivo, é necessário avaliar três variáveis - a primeira sendo a presença cada vez mais forte, em nosso mercado, de diversas empresas que fornecem produtos e serviços de vários segmentos. Estas empresas são originadas de diversas partes do globo, tornando cada mercado que significa uma oportunidade, um alvo não mais regional, e sim mundial. A segunda variável é a convergência no nível de qualidade dos produtos, tornando-os cada vez mais próximos em relação a suas características técnicas. Independente de qual seja a manufatura, o segmento social abordado, ou o produto vendido, as manufaturas devem ter como característica básica a qualidade, como padrão de sobrevivência aos exigentes consumidores. A terceira, e talvez mais complexa variável, é o nível de serviço apresentado. Este atributo, no escopo da logística, diz respeito à disponibilidade. O alto nível de serviço representa a garantia de que um produto estará disponível no momento em que o cliente procurá-lo.

Muitas vezes, o alto nível de serviço está atrelado à necessidade de manter estoques perto do consumidor. Qual o motivo da manutenção de estoques? O motivo está atrelado a diversas variáveis, sendo uma delas, a incapacidade da cadeia de suprir, na hora certa e com a velocidade pretendida, o que se deseja. Atraso no abastecimento significa, muitas vezes, perda de vendas. Este problema da cadeia está atrelado, em muitos casos, à necessidade de aumento do poder de barganha com o fornecedor, ou mesmo à falta de parcerias concretas com sua cadeia de abastecimento. Outro problema está atrelado à volatilidade de demanda. Devido à complexidade na determinação do consumo exato do produto, opta-se pela possessão de estoques para garantir o nível do serviço. Esta equação gera uma falta de sintonia - estoques excessivos possuem altos riscos de obsolescência devido ao ciclo de vida cada vez mais reduzido dos produtos, o que faz com que os mesmos sejam substituídos em uma velocidade cada vez maior.

A conseqüência disto é clara. Apesar da expansão mundial, nunca foi tão complexo realizar vendas, pois o consumidor, cada vez mais exigente, vem recebendo produtos melhores a preços mais acessíveis. Pergunta-se, portanto:

Como ser escolhido pelo consumidor?

Como obter sua preferência?

Como se destacar em um ambiente com milhares de marcas e nomes?

Como se diferenciar em um cenário onde todos os produtos são de qualidade e os preços são cada vez mais semelhantes? 

O cenário acima descrito vem se acelerando a cada dia, o que exige da empresa mais atenção em sua cadeia de suprimentos. As cadeias, por sua vez, vêm tornando-se elementos essenciais para a estratégia de uma organização.

As cadeias são formadas por diversos componentes. São eles: os fornecedores; a manufatura, que transforma a matéria-prima em produto acabado; em muitos casos, o distribuidor e atacadista; e o varejista. Quanto mais complexo é o produto, mais componentes possuirá a cadeia, e quanto maior o número de componentes, maior a complexidade da cadeia e mais erros poderão ocorrer.

A gestão da cadeia de suprimentos passa a ser estratégico para qualquer tipo de organização, pois é ela que definirá o sucesso ou o fracasso de uma organização - lembrando que não existe nenhuma empresa em que todos os processos pertencem apenas a ela.

Este é um processo nitidamente colaborativo, que precisa ser percebido pelas organizações como estratégico. Necessário, portanto, para as empresas.

Em um contexto global de cenários mais complexos e com mais variáveis de controle, torna-se necessário à visão holística da cadeia, pois, certamente, esta é única forma de sobrevivência em um mercado mais exigente e crítico.


 

Autor: Fernando Arbache